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A cidade mais "desenvolvida"
do Brasil, São Paulo, é a melhor demonstração
de que a mudança deve ser radical, no sentido exato da palavra.
A História mostra grandes revoluções iniciadas por
dois ou três corajosos, competentes o bastante para colocarem suas
idéias de fato a serviço da coletividade.
O Mundo não seria o mesmo sem Tiradentes e Fidel Castro, só
para citarmos dois barbudos latinos, audaciosos que fizeram um bom número
de seguidores. Aliás, um deles, também barbudo e ex-sindicalista
revolucionário, ainda vai ser assunto de muitos capítulos
de livros de História, como nosso Presidente da República..
Este livro, na teoria e na prática uma aula de Educação
Ambiental, também foi escrito por dois revolucionários,
cada um a seu modo. O Professor Flávio Lemos foi à luta
e tratou de verificar para nós, curva por curva, todos os problemas
pelos quais passa mais um importantíssimo rio brasileiro, hoje
mais cheio de problemas do que das águas limpas de um passado não
muito distante. Poucos rios, em nosso País, foram despidos, assim,
com tanto cuidado, para que se verificasse cada uma das suas feridas e
se pudesse propor os devidos remédios para sua recuperação.
Vilmar Berna, premiado internacionalmente por sua dedicação
à melhoria da qualidade de vida em cada ponto do Planeta, nos empresta
o que guardou de melhor em sua inteligência, não apenas para
lermos, sublinharmos e anotarmos, mas para que passemos a agir com mais
segurança na mesma direção que ele.
Este livro é pró-ativo. Cada um que o ler
se sentirá ainda mais responsável por colaborar com a causa
social e ambiental, em todos os sentidos. Comigo foi assim. Nascemos e
o primeiro ambiente que poluimos é a nossa própria cabeça.
Que tal começarmos por aí?
Fernando Guida é professor, economista, ex-Secretário de
Urbanismo, Controle Urbano e Meio Ambiente de Niterói (RJ) e membro
da Direção Executiva Nacional do Partido Verde. |
Estamos
impermeabilizando o Mundo!
Basta olharmos ao redor para constatarmos que o modelo clássico
de desenvolvimento acaba cobrindo, com cimento e asfalto, muito do que
era terra e vegetação. A água começa a não
ter como penetrar no solo. A temperatura começa a ficar mais alta,
os carros correm mais, aumenta o número de acidentes automobilísticos
e o número de anteparos para provocarem diminuição
na velocidade. Aumentam o barulho, a fumaça, o estresse, os custos
com saúde, a violência...
Quando um rio atravessa uma cidade ou várias, como o Muriaé,
por que não há o devido saneamento, nem a educação
adequada, acaba recebendo lixo e esgoto a ponto de ficar mortalmente ferido,
poluído. Pior é o remendo: ao invés de se buscar
a “renaturalização”, muitos rios são
canalizados ou transformados em valões. Onde havia natureza passa
a haver cimento e ferro. E continuam jogando de tudo lá dentro.
O rio e a água boa vão sumindo. Uma chuva mais forte, tudo
o que é solo próximo impermeabilizado, o rio entupido, a
velocidade da água e o volume aumentando, e ele acaba transbordando.
E pra onde vai a água se não há terra para "sugá-la"?
Vai invadindo tudo o que há pela frente.
Modelo clássico, pergunta clássica: O que fazer?
Educar! Educar para o Desenvolvimento Sustentável. Começar
pelas crianças e mudar os cursos. Não os dos rios, mas os
das escolas. Em todos os níveis.
Ainda há quem seja obrigado a decorar os nomes dos afluentes do
Rio Amazonas, mas nem imagine o nome do rio que passa por trás
da sua casa, muito menos a razão para ele estar tão poluído.
Ainda há quem ensine que existem animais domésticos e animais
"nocivos", quando sabemos que todos os seres têm suas
funções naturais. E nas escolas superiores observa-se ´que
há poucos projetos que fujam do tradicional, e respeitem, ou pelo
menos não agridam, os ambientes. É prédio pra lá
e pra cá, é cimento e asfalto pra tudo o que é lado.
E tome rodovia, e tome automóvel, e tome "progresso".
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