Reflorestamento

O que significa reflorestar
Reflorestar significa transformar em floresta áreas que anteriormente eram cobertas por ela. O termo tem sido utilizado de várias maneiras. Algumas delas, com pouco valor ecológico.

Em termos mais ecologicamente corretos, o reflorestamento deveria respeitar alguns critérios básicos. Talvez o mais importante deles diz respeito à necessidade de se usar diferentes espécies nativas do próprio local para o reflorestamento. Este critério é importante porque permite a diversidade biológica e estimula o retorno também da fauna (animais) local.


Desertos verdes
O Estado do Espírito Santo hoje vem enfrentando um grande problema ambiental com a indústria de celulose, que planta "florestas comerciais" de eucalipto. Estas "florestas", formadas pela monocultura (cultura de uma só espécie) são também denominadas "desertos verdes". Isto porque a monocultura de eucalipto, por exemplo, torna áreas quase tão estéreis quanto antes. A diversidade, portanto é fundamental. Uma lei estadual votada em 2001 ameaça expulsar a empresa daquele estado. Há, por outro lado, informações de que a indústria de celulose está migrando para o Estado do Rio. O que você acha ?!

Campos e Bom Jesus do Itabapoana são municípios estratégicos nos planos da Aracruz Celulose para as regiões Norte e Noroeste do Estado. Embora a empresa ainda não tenha definido a localização das plantações de eucalipto - o que dependerá, em grande parte, do interesse das prefeituras e dos produtores rurais - já se sabe que as duas cidades serão pontos de armazenagem e embarque da madeira produzida nas suas respectivas regiões. O produto será transportado por via férrea a partir desses municípios, até o parque industrial de produção de celulose localizado em Barra do Riacho, no município de Aracruz, no Espírito Santo.

A Aracruz também pretende criar uma alternativa de transporte marítimo, construindo seu próprio terminal, como fez no Espírito Santo, ou aproveitando uma estrutura já existente. A empresa produz 40 milhões de mudas de eucalipto por ano
Existem focos de resistência entre os ambientalistas à cultura do eucalipto. Isso ficou claro na visita da comitiva do Norte Fluminense à Aracruz Celulose quando, durante a palestra sobre os planos da empresa para o Rio de Janeiro, o secretário de Meio Ambiente de Macaé, Hermeto Didonet, queixou-se da falta de participação dos municípios na questão do licenciamento ambiental. "Hoje em dia os municípios também têm uma legislação ambiental. O estado pode licenciar, mas, se o município não licenciar, nada vai adiantar. Isso precisa ser discutido antes, e nós estamos preparados para essa discussão", afirmou.

Para o secretário de Indústria, Comércio e Turismo de Campos, Fábio Paes, que também integrou a comitiva, a proposta da Aracruz não pode ser rejeitada por medo do novo. "Não devemos cometer os mesmos erros do passado, quando rejeitamos investimentos por desconhecimento. O investimento florestal pode culminar em muitos benefícios para a região, e nós não podemos rejeitá-lo por medo do novo", observou.

A decisão da Aracruz em implantar florestas renováveis no Rio de Janeiro foi antecipada em função da aprovação da Lei nº 252/01, do Espírito Santo, que proíbe o plantio de novas áreas de eucalipto para fins de produção de celulose por tempo indeterminado, até que seja feito um zoneamento agroecológico em todo o estado.Alguns ambientalistas condenam a cultura do eucalipto, alegando que ela afasta a fauna, não permite o crescimento de outras espécies vegetais, esgota a água do solo, entre outros males. A Aracruz rebate essas acusações com as conclusões resultantes do Projeto Microbacia, um laboratório ao ar livre voltado para o estudo do eucalipto. De acordo com as pesquisas da empresa, a biodiversidade de uma floresta de eucalipto é bastante elevada, considerando tratar-se de uma cultura agrícola. Os pesquisadores concluíram, ainda, que o eucalipto possui um ótimo aproveitamento da água e que repõe material orgânico no solo, recuperando terras degradadas.


Onde reflorestar
Os programas de reflorestamento devem, sempre que possível, localizar as áreas de plantio de forma estratégica para terem uma função ecológica mais eficiente. As áreas preferíveis são (i) topos de morros - para aumentar absorção da água das chuvas pelo solo, (ii) encostas de morros - para evitar erosão e carreamento de solo fértil, (iii) áreas próximas às nascentes d'água - para revitalizar o manancial, (iv) próximo as margens de rios - mata ciliar - para proteger os rios do assoreamento.

Alguns programas ambientais chamados de reflorestamento, como alguns dos desenvolvidos e executados pela ONG Puris de Ecologia em parceria com a comunidade, são feitos com finalidade educativa. Como nos detemos em programas de plantio em pequena escala, preferimos denominar estes trabalhos de programas de "plantio de árvores".

A ONG Puris desenvolveu, com apoio de instituições locais, vários destes projetos em parceria com dezenas de escolas, hotéis em Raposo, clubes do cavalo, pecuaristas. Ao todo já foram plantadas milhares de árvores. Mas ainda é pouco.

O Papel das Árvores
Em 1997, cerca de 40 acadêmicos e pesquisadores nacionais especialistas de muitas áreas, reunidos pela FBDS (Fundação Brasileira Para o Desenvolvimento Sustentável) com o Instituto de Estudos Avançados da USP, através da Academia Brasileira de Ciências, reforçaram o importante papel do reflorestamento na técnica de seqüestro de gás carbônico. O Projeto FLORAM (Florestas Para o Meio Ambiente), elaborado pelo IEA-USP, no final da década de 80, foi inovador neste sentido. Preconiza a retirada biogênica do gás carbônico em excesso na atmosfera por meio da fotossíntese das árvores.

Também demonstra a sua viabilidade o fato da indústria automobilística, como o caso, da Toyota, já estar sensível ao assunto. A Toyota está desenvolvendo um tipo de árvore que absorve a poluição provocada por automóveis. Em seu laboratório na periferia da cidade de Nagoya, no Japão, 40 pesquisadores trabalham na Floresta da Toyota. Segundo seus cálculos, são necessárias 20 árvores para durante o ano absorver a poluição de um só carro. O objetivo imediato da Toyota é melhorar em 30% essa performance. Por meio de seleção cuidadosa da engenharia genética, têm sido obtidas árvores em cujas folhas os poros se tornaram maiores e mais fortes, capazes de absorver uma quantidade maior dos gases poluentes.

Entretanto, ao contrário de estar plantando árvores ou preservando as florestas existentes, o Estado do Rio de Janeiro tem sido o campeão do desmatamento da Mata Atlântica nos últimos 7 anos, segundo medições por satélites feitas pelo INPE em convênio com as ONGs SOS Mata Atlântica e Instituto Sócioambiental. Em cinco anos, entre 1990 e 1995, o Estado do Rio perdeu 140.372 hectares de Mata Atlântica e em dois anos, entre 1995 e 1997, a perda em 40 municípios dos 91 do Estado, foi de 15.689, o equivalente a quase um campo de futebol de florestas por hora! A principal atividade depredadora das florestas nativas fluminenses, apontada pelo satélite, tem sido a prática de queimadas para ampliação ou limpeza de pastos ou como estratégia de produtores rurais empobrecidos para evitar a aquisição de adubos e fertilizantes para suas terras com baixa produtividade, recorrendo às queimadas como forma de ampliar áreas produtivas devido às cinzas da própria floresta queimada. Se tomarmos como parâmetro o modelo adotado na Costa Rica onde, para cada 1000 ha de florestas estima-se a absorção de 30.000 t C durante um período de 10 anos. Isso significa que as queimadas, além de lançarem carbono na atmosfera, eliminaram, de 1990 a 1997, 156.061 hectares de florestas que antes retiravam, num período de 10 anos, cerca de 4,6 milhões de toneladas de carbono da atmosfera.


Commodities Florestais
Acredita-se que a demanda por créditos de captação de carbono vá levar à criação de um valor real de mercado que os caracterizará como commodities transacionáveis, nos moldes do mercado de créditos de SO2 já existente nos EUA. Neste mercado incipiente, o valor atual de 1 tonelada de carbono é em torno de US$ 10/ton C. De acordo com um estudo realizado pelo UNCTAD (UN Conference on Trade and Development), a demanda por créditos de captação de CO2 durante a próxima década será em torno de US$ 20 bilhões. No entanto, a ausência de mecanismos confiáveis e formais de registro e transferência de créditos de captação de carbono tem gerado incerteza e reduzido o nível de investimento em projetos florestais por parte de companhias do setor industrial interessadas em mitigar suas emissões.

Por exemplo, para cada 1000 ha de plantio de espécies nativas para reabilitação de matas ciliares estima-se a absorção de 30.000 t C durante um período de 10 anos, no valor de US$ 300,000 (a US$10 por tonelada C). Tal valor possivelmente será maior, uma vez que a demanda por créditos de captação de carbono só tende a crescer e seu valor a subir. É necessário, porém, que os projetos de captação de carbono sejam devidamente registrados e sua taxa de captação calculada para emissão dos respectivos certificados.