No dia 22 de abril comemora-se o Dia Mundial da Terra. É um
bom motivo para se pensar na água, afinal, a superfície
de nosso planeta é constituída por apenas 30% de terra
firme. Os 70% restantes são de água. Mas, nem toda essa
enorme quantidade de água está disponível para
uso humano pois 97% são águas salgadas e apenas 3% são
doces. Destes, apenas 0,6% são águas doces superficiais
e, destas, um pouco mais da metade está disponível, nos
lagos e rios. O que dá idéia bem clara da importância
dos rios e lagos para a espécie humana, e ainda do quanto este
líquido é precioso para nós, mais até que
o petróleo.
Apesar disso, o que nossa espécie está fazendo com os
rios? Poluindo com esgotos domésticos e industriais, retirando
vegetação protetora das margens e mananciais, o que apressa
seu assoreamento, envenenando com metais pesados e agrotóxicos,
construindo em suas margens e modificando seus cursos, além de
muitas outras agressões. É no mínimo um contra-senso,
pois são estes mesmos rios que fornecem a pouca água doce
disponível no planeta.
Quais seriam as outras alternativas? A dessalinização
da água do mar, o que já vem sendo feito no Oriente Médio.
O problema é que este é um processo caríssimo,
só viável para os ricos países exportadores de
petróleo, além de gerar enormes quantidade de sal, de
difícil aproveitamento final. A outra possibilidade também
é muito cara e de grande impacto térmico no meio ambiente.
Trata-se dos transportes de icebergs das regiões polares até
os locais de consumo.
O que temos de fazer é muito simples: trabalhar com a natureza
e não contra ela. Isso significa, entre outras providências,
combater a poluição dos rios, impedir a ocupação
de seus leitos e, principalmente, investir em reflorestamento ecológicos,
para recompor as matas protetoras das margens e dos mananciais dos rios.
As matas funcionam como se fossem uma esponja, retendo cerca de 99,5%
das águas das chuvas e liberando-as aos pouquinhos para o lençol
freático, alimentando poços, nascentes, olhos d’água,
minas, fontes que, por sua vez, tornarão perenes, o ano todo,
os rios que abastecem as populações e mantêm as
atividades econômicas, principalmente a agricultura.
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Sem essa vegetação protetora, as águas das chuvas
não penetram no solo, mas correm em sua superfície, provocando
erosão e desmoronamento que, além da morte de inúmeras
pessoas e perda de bens, causam a diminuição da fertilidade
do solo, tornam cada vez mais caros os investimentos com barragens para
conter o escoamento das águas, ressecam o solo, provocam sua
desertificação, entopem os rios, que acabam inundando
e causando sérios prejuízos, além de provocar a
morte e extinção de espécies animais e vegetais,
muitas delas sequer conhecidas ou classificadas pela Ciência.
É como se destruíssemos livros, antes de abrí-los.
O mar, por sua vez, não está em situação
melhor. Ele é o maior dos hábitats do planeta e o mais
rico em forma de vida. As algas microscópias, fitoplânctons
que flutuam em sua superfície, estão na base de cadeia
marinha. E, além disso, são elas as principais responsáveis
pela produção do oxigênio necessário à
vida no planeta como conhecemos, e não a Amazônia, como
muita gente pensa.
Mas, os mares e oceanos foram transformados em lixeiras. Recebem milhares
de litros de esgoto diariamente e têm seus ecossistemas destruídos.
O óleo derramado no mar forma uma fina camada na superfície,
o que inibe a fotossíntese dos fitoplanctos, dando um golpe mortal
bem no início da cadeia alimentar, o que significa a morte de
centenas e centenas de outros animais, além de diminuir a oferta
de oxigênio no planeta.
Como é fácil perceber, tudo está interligado. Os
rios, mares e oceanos, as florestas e o equilíbrio dinâmico
do ciclo hidrológico fazem parte de um concerto da natureza,
da qual participamos, no papel privilegiado de maestros da sinfonia.
Não podemos, agora, abdicar dessa nossa posição,
numa visão romântica de retorno a um tipo de vida primitivo,
a pretexto de estar em harmonia com a natureza. Nossa harmonia depende
exatamente, de assumirmos a importância do nosso papel. Fomos
capazes de interferir na natureza para pior. Precisamos agora fazer
o contrário. Uma coisa é certa: o planeta conseguirá
sobreviver sem nós, talvez um pouco mais feio e arranhado. O
contrário, porém, não será verdadeiro. Nossa
espécie não sobreviverá sem o planeta, Simplesmente
não temos para onde ir. Nossas vias - e as das futuras gerações
estão em nossas mãos.
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