01/04/2003
Produtos químicos contaminam o Rio Pomba, no interior fluminense

O presidente da ANA - Agência Nacional de Águas, Jerson Kelman, inspecionou, nesta terça-feira (1), de helicóptero, o município de Santo Antônio de Pádua, o mais atingido pelo desastre ambiental que contaminou as águas do rio Pomba, que corta a região noroeste e deságua no rio Paraíba do Sul, o mais importante do Estado do Rio de Janeiro.

Kelman chegou à cidade acompanhado do vice-governador e secretário do Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Luís Paulo Conde. Os dois se reuniram com o prefeito da cidade, Luiz Fernando Padilha e técnicos da Feema - Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente, da Serla e da Defesa Civil para analisar os problemas causados pelo acidente.

As cidades de Santo Antonio de Pádua, Miracena, Aperibé, Cambuci e o distrito de Portela, em Itaocara, estão com o abastecimento de água suspenso. A Secretaria de Defesa Civil disponibilizou seis carros de 35 mil litros de água do Corpo de Bombeiros para a região, além de contar com 15 carros-pipa contratados pelo Estado e de outros que trabalham para as cooperativas de leite da região.

O acidente, que matou peixes e animais de grande porte em cerca de 21 fazendas da região, foi causado pelo vazamento de 1,2 bilhão de litros de lama contaminada por produtos químicos de uma lagoa de rejeitos da indústria Cataguazes Papéis Celulose, em Minas Gerais.

Água contaminada

O governo do estado do Rio de Janeiro voltou a pedir à população dos municípios de Miracema, Santo Antônio de Pádua, Aperibé, Cambuci, São Fidélis e Campos que não consuma a água e o pescado dos Rios Pomba e Paraíba do Sul, atingidos pelo vazamento de produtos químicos altamente tóxicos de uma empresa mineira no final de semana.

No município de Santo Antônio de Pádua, a prefeitura decretou nesta segunda-feira (31) ponto facultativo e não descarta o estado de calamidade pública. Por determinação do vice-governador e secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Luiz Paulo Conde, vários técnicos de órgãos estaduais estão seguindo para os municípios atingidos para observar de perto os danos causados pelo desastre ecológico. A Cedae - Companhia Estadual de Águas e Esgoto, da Secretaria de Meio Ambiente do Estado, assim que tomou conhecimento do acidente, suspendeu a captação de água do Rio Pomba para os municípios de Miracema, Santo Antônio de Pádua e Aperibé, na Região Noroeste.

A pedido da governadora do Rio, Rosinha Matheus, a Petrobras enviou nesta segunda-feira para os municípios atingidos pela contaminação, técnicos ambientais que vão trabalhar na contenção do material tóxico que vazou de uma indústria de celulose de Minas Gerais.

O governo do Rio de Janeiro já entrou em contato com a ANA - Agência Nacional de Águas, que se comprometeu a acionar a empresa e o governo de Minas Gerais, para que expliquem a razão da demora em comunicar às autoridades estaduais fluminenses o rompimento do reservatório com material tóxico.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse nesta terça-feira (1) que o momento é de conter o prejuízo ao meio ambiente, mas que é fundamental a realização de uma investigação para apurar a responsabilidade pelo derramamento. A ministra foi informada de que os responsáveis pela empresa não avisaram imediatamente aos órgãos ambientais sobre o acidente, o que constitui infração gravíssima segundo a Lei de Crimes Ambientais. "Caso seja verdade, isso não pode ficar sem punição", ressaltou.

A ministra explicou que o Ministério do Meio Ambiente tem a clareza de que a ação ocorreu na esfera de competência estadual, mas que é necessário trabalho conjunto dos estados e da União para reduzir os danos. "Não vamos nos furtar a dar o apoio necessário, pois o dano ambiental afeta a todos nós", concluiu.
(Agência Brasil e MMA)

Enviado por Cristiane Carrijo
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