07/04/2003 Uma idéia do que o principal componente vertido no acidente da Cataguazes, a Soda Cáustica ou Hidróxido de Sódio pode provocar. Este componente atua como um agente limpador, dissolvendo as graxas e proteínas das superfícies das células, produzindo a desintegração contínua dos tecidos atacados, causando dano corrosivo severo em olhos, pele e mucosas. O dano aos olhos é o mais severo, mesmo que a soda esteja altamente diluída. Os efeitos na pele variam entre cor roxa, inchaço, até destruição total das camadas externas da pele, dependendo da duração do contato e da concentração da solução. Quando a soda cáustica se depositar em áreas mal drenadas as soluções vão evaporam e a simples respiração da poeira de hidróxido de sódio causará irritação severa das mucosas da nariz e dos pulmões. A ingestão de hidróxido de sódio, produz violenta dor no esôfago e estômago e corrosão severa dos lábios, boca, garganta e língua, podendo ser mortal se não tratado imediatamente mediante lavagem gastro-intestinal. O hidróxido de sódio líquido é mais perigoso que o sólido. Os sólidos tendem a produzir danos menores pelo fato de ter contato menor com as mucosas, devido a este fato o transporte e comercialização da soda se faz em forma de pelets ou torrões. Acidentes como o acontecido na bacia do Paraíba do Sul são raros e denotam a extrema precariedade da indústria que o provocou. A maioria das industrias de celuloses do mundo se encontram integradas numa cadeia produtiva que faz com que grande parte dos rejeitos das mesmas sejam reaproveitados por outras indústrias e os que não podem ser reaproveitados são neutralizados (equilibrando o Ph o máximo possível), pre-diluídos e lançados em corpos d´água com capacidade de diluição apropriada. Na Argentina existe a mais de 5 décadas uma planta de produção de Celulose localizada as margens do rio Paraná, na cidade de Granadeiro Baigorria, imediatamente a montante da cidade Rosário (com mais de 1.000.000 de hab. e captação de água no mesmo rio) os principais inconvenientes relacionados com os lançamentos de poluentes desta planta dizem respeito a acidentes com derrames de cloreto de sódio em períodos de chuvas intensas e nunca de houve escape de soda cáustica ou cloro livre. O cloreto de sódio ou sal de cozinha é sub-produto obtido ao estabilizar a soda cáustica após ser utilizada no processo de diluição de fibras de celulose. Concluindo: acho extremamente brando a simples aplicação
de multa, tratasse de crime grave e facilmente evitável, cabe legalmente
o fechamento da unidade de produção e a indisponibilidade
de bens da empresa e de seus controladores para fazer frente às
indenizações por danos causados ao meio ambiente, ás
concessionárias e água potável que exploram o manancial
indisponibilizado, ás prefeituras, estado e União pela perda
de receita provocada pelo incidente e às populações
pelos danos físicos e materiais.
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