11/04/2003 Toneladas de rejeitos sólidos da Empresa de Mineração Esperança S/A (Emesa) - desativada desde 1996, após falência - estão sendo carreados pelas chuvas, poluindo uma área de 40 hectares, assoreando e mudando o curso do Rio Paraopeba, em Brumadinho, Região Metropolitana de Belo Horizonte. Desde janeiro, segundo o secretário municipal
de Meio Ambiente, Quintino Vargas Amaral, vários órgãos
ambientais do Estado foram alertados, inclusive a Fundação
Estadual do Meio Ambiente (Feam), e nada teria sido feito. Na semana passada,
após a tragédia ambiental em Cataguases, na Zona da Mata
mineira, o secretário de Estado do Meio Ambiente, José Carlos
Carvalho, reconheceu falhas no sistema de gestão ambiental. A Feam,
que tem a função de fiscalizar, não tinha sequer
um cadastro completo de todos os depósitos de resíduos no
Estado. O relatório de 70 páginas feito em janeiro pelo município foi enviado às promotorias local e estadual do Meio Ambiente, à Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda), às secretarias de Estado do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Econômico, ao Comitê da Bacia do Paraopeba, entre outros órgãos. Com as chuvas de janeiro, a situação no local piorou. O leito do rio sofreu um desvio de 50 metros e ameaça a rodovia MG-040, que dá acesso à capital. "A terra está correndo toda para o rio. Os depósitos de minério não têm contenção porque foram feitos do tipo ponta de aterro, com o caminhão chegando na beirada do barranco e despejando", acrescentou Quintino. Ontem, representantes da Amda e o promotor de Justiça Carlos Eduardo Dutra Pires estiveram no local. O Ministério Público instaurou inquérito para apurar as responsabilidade e, amanhã, às 9 horas, haverá reunião no fórum da cidade com representantes do Grupo Paraibuna de Metais, antigos sócios majoritários. A presidente da Amda, Maria Dalce Ricas, informou que nas redondezas da capital várias barragens ameaçam se romper. Ela disse que a recuperação de áreas degradadas compete aos órgãos empreendedores. No entanto, considera que há uma lacuna no licenciamento, que é a não exigência de garantia econômica para recuperação de áreas degradadas em caso de abandono. "Queremos uma garantia econômica através de caução, hipoteca ou conta vinculada, para que o Estado possa ter recursos para recuperar a área", afirmou Dalce. Após tomar conhecimento do acidente em Brumadinho,
a Feam deslocou técnicos para o local. O secretário adjunto,
Shelley de Souza Carneiro, sobrevoou a área. A informação
é que não havia risco de contaminação por
metais pesados e que a empresa nunca atendeu as solicitações
e demandas da Feam.
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