07/04/2003
Tragédia terrível

O norte e o noroeste do estado sofrem as conseqüências de um piores desastre ambientais que o Brasil já viveu. A mancha tóxica saiu de Minas Gerais, cruzou mais de cem quilômetros de Rio e está chegando ao mar. Sete cidades ao longo dos rios Pomba e Paraíba do Sul estão com o abastecimento de água cortado. O prejuízo ambiental é enorme e a recuperação pode levar anos.

A previsão é que a mancha tóxica chegue à São João da Barra às 13h30. A cidade fica a três quilômetros do mar. Preventivamente, o banho foi proibido em todas as praias do município pela prefeitura. O abastecimento também está interrompido desde ontem.
Em Campos, a situação começa a ficar crítica, 40 carros-pipa estão abastecendo a cidade, mas a prioridade são os hospitais e as escolas. Nas comunidades carentes já começa a faltar água.
Para evitar o superfaturamento no preço da água mineral, o Procon e o Ministério Público estão fazendo uma ação conjunta de fiscalização nos estabelecimentos comerciais. Quem cometer a infração pode pagar multa de até R$3 milhões.

“Temos uns 35 autos de constatação e não sentimos abuso de preços”, afirma Franckin Cherene, secretário executivo do Procon.

A população da cidade acordou hoje com a imagem da poluição no rio que corta a cidade. Nas margens do rio há peixes e lagostas mortas. A mancha tóxica chegou a Campos ontem pela manhã, e transformou a paisagem. Na estação de tratamento da Coroa, que abastece 70% da área urbana, a captação foi interrompida desde às 11h da manhã de ontem.
“Nós continuamos monitorando permanentemente a água do rio Paraíba do Sul em vários pontos do município, e também vários outros municípios que foram atingidos por essa poluição. Nós temos que aguardar a passagem desta mancha tóxica, essa principal carga primeira que está vindo, para saber qual a tratabilidade da água que está vindo a seguir”, explica Adelfran Lacerda, assessor da Águas do Paraíba.

A mancha tóxica segue em direção ao município de São João da Barra. Ainda não há previsão de quanto tempo vai levar para que a situação do rio Paraíba seja normalizada.
“Com a gravidade que nós estamos assistindo aqui, a gente faz um prognóstico que, no mínimo durante cinco dias, nós vamos ter essa situação de tragédia na nossa cidade, com a falta d’água para o abastecimento público”, lamenta Zacarias Albuquerque, secretário do Meio Ambiente.
Oficiais do Batalhão de Engenharia do Exército chegaram hoje de manhã à Campos para, junto ao Corpo de Bombeiros, buscarem alternativas de captação para abastecer a população.
Esta manhã, a governadora Rosinha Matheus, o Ibama e os prefeitos das cidades atingidas reuniram-se para avaliar o problema. Serão viabilizado recursos para pescadores, criados peixes em cativeiro, e haverá o reflorestamento da área.