Matérias Anteriores ao dia 03/04
Calamidade pública
A mancha tóxica chegou à região de Campos no começo
da tarde. Aos poucos, a água do Rio Paraíba do Sul ficou
escura. Não demorou para que os peixes sentissem a diferença.
A Feema passou a monitorar a qualidade da água. As amostras vão
ser analisadas em laboratório a cada duas horas. O município
continua sob estado de alerta. Em São Fidélis a rotina
foi alterada pela poluição.
Milhares
de peixes amanheceram nas margens em busca de oxigênio. Pescadores
contabilizaram 32 espécies atingidas pela poluição.
“Na face da água o prejuízo já é grande,
agora imagina no fundo do rio. Não temos como alcançar
para ver”, lamenta Joacyr Ferreira, presidente da colônia
de pescadores. Há 10 anos, os pescadores de São Fidélis
começaram um trabalho de repovoamento de lagostas de água
doce no Rio Paraíba do Sul.
A reprodução era feita em tanques e as larvas eram soltas
perto da cidade. Mas com o envenenamento das águas, os crustáceos
estão morrendo. O projeto pode ter seu objetivo ameaçado.
Lagostas em idade de desova foram encontradas mortas. Os prejuízos
também vão chegar à agricultura. Os técnicos
da Emater desaconselharam o uso da água do Paraíba do
Sul para as lavouras. Em Aperibé os agricultores temem perder
toda a produção. As flores e folhas já estão
murchando. Em Santo Antônio de Pádua estão sendo
abertos oito poços artesianos.
Mas o estoque de água limpa não dura mais de dois dias.
“O problema é longo, moroso. Não sabemos quando
será resolvido. A gente fica desesperada”, confessa uma
moradora. O prefeito de Santo Antônio de Pádua decretou
estado de calamidade pública no município.
Vazamento causa prejuízo à natureza e economia da região
Segundo a Secretaria Estadual de Meio-Ambiente, 1,5 bilhão
de litros de resíduos químicos vazaram da indústria
mineira.
No encontro dos rios Pomba e Paraíba do Sul é possível
ver as proporções que o desastre alcançou. A mancha
tóxica avança rapidamente e, segundo os especialistas,
na parte escura do rio – que foi contaminada, são mínimas
as chances de que algum peixe tenha sobrevivido.
“A gente acredita que a maioria dos peixes e crustáceos,
répteis e anfíbios, tenham morrido”, explica um
técnico.
A área afetada – mais de 100 quilômetros de extensão
entre as cidades de Santo Antônio de Pádua e Campos –
faz parte de um dos mais importantes bolsões de biodiversidade
do estado.
No local, foram catalogadas 179 de peixes. Muitas desapareceram em conseqüência
da poluição. Algumas estiveram ameaçadas de extinção,
como o piabanha. Há cinco anos, vinha sendo desenvolvido no noroeste
o projeto de repovoamento dos rios. A expectativa dos biólogos
é que os peixes só voltem a se reproduzir cerca de oito
anos depois da limpeza das águas.
Prejuízo para o meio-ambiente e também para a economia
da região. “A pesca hoje acabou. Temos que nos virar com
outro serviço. Peixe daqui, ninguém quer. O comprador
não compra. E pescar para que”, desespera-se um pescador.
Ameaça também para a mata próxima ao rio e à
várias espécies de animais que dependem do Rio Pomba para
sobreviver.
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