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Calamidade pública
A mancha tóxica chegou à região de Campos no começo da tarde. Aos poucos, a água do Rio Paraíba do Sul ficou escura. Não demorou para que os peixes sentissem a diferença. A Feema passou a monitorar a qualidade da água. As amostras vão ser analisadas em laboratório a cada duas horas. O município continua sob estado de alerta. Em São Fidélis a rotina foi alterada pela poluição.

Milhares de peixes amanheceram nas margens em busca de oxigênio. Pescadores contabilizaram 32 espécies atingidas pela poluição. “Na face da água o prejuízo já é grande, agora imagina no fundo do rio. Não temos como alcançar para ver”, lamenta Joacyr Ferreira, presidente da colônia de pescadores. Há 10 anos, os pescadores de São Fidélis começaram um trabalho de repovoamento de lagostas de água doce no Rio Paraíba do Sul.

A reprodução era feita em tanques e as larvas eram soltas perto da cidade. Mas com o envenenamento das águas, os crustáceos estão morrendo. O projeto pode ter seu objetivo ameaçado. Lagostas em idade de desova foram encontradas mortas. Os prejuízos também vão chegar à agricultura. Os técnicos da Emater desaconselharam o uso da água do Paraíba do Sul para as lavouras. Em Aperibé os agricultores temem perder toda a produção. As flores e folhas já estão murchando. Em Santo Antônio de Pádua estão sendo abertos oito poços artesianos.

Mas o estoque de água limpa não dura mais de dois dias. “O problema é longo, moroso. Não sabemos quando será resolvido. A gente fica desesperada”, confessa uma moradora. O prefeito de Santo Antônio de Pádua decretou estado de calamidade pública no município.


Vazamento causa prejuízo à natureza e economia da região
Segundo a Secretaria Estadual de Meio-Ambiente, 1,5 bilhão de litros de resíduos químicos vazaram da indústria mineira.
No encontro dos rios Pomba e Paraíba do Sul é possível ver as proporções que o desastre alcançou. A mancha tóxica avança rapidamente e, segundo os especialistas, na parte escura do rio – que foi contaminada, são mínimas as chances de que algum peixe tenha sobrevivido.
“A gente acredita que a maioria dos peixes e crustáceos, répteis e anfíbios, tenham morrido”, explica um técnico.

A área afetada – mais de 100 quilômetros de extensão entre as cidades de Santo Antônio de Pádua e Campos – faz parte de um dos mais importantes bolsões de biodiversidade do estado.
No local, foram catalogadas 179 de peixes. Muitas desapareceram em conseqüência da poluição. Algumas estiveram ameaçadas de extinção, como o piabanha. Há cinco anos, vinha sendo desenvolvido no noroeste o projeto de repovoamento dos rios. A expectativa dos biólogos é que os peixes só voltem a se reproduzir cerca de oito anos depois da limpeza das águas.

Prejuízo para o meio-ambiente e também para a economia da região. “A pesca hoje acabou. Temos que nos virar com outro serviço. Peixe daqui, ninguém quer. O comprador não compra. E pescar para que”, desespera-se um pescador.

Ameaça também para a mata próxima ao rio e à várias espécies de animais que dependem do Rio Pomba para sobreviver.