11/04/2003
Erosão pode ter provocado desastre ecológico de Cataguases

BELO HORIZONTE e RIO - O Tribunal de Contas da União (TCU) autorizou a realização imediata de inspeção em organismos federais que cuidam da política ambiental no país. O objetivo é apurar as ações prévias dessas entidades em relação à Indústria de Papel Cataguazes Ltda, responsável pelo vazamento de 1 bilhão e 200 milhões de litros de resíduos químicos nos rios Pomba e Paraíba do Sul, em Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Serão investigados o Ministério do Meio Ambiente, o Ibama e a Agência Nacional de Águas (ANA). O TCU também vai verificar de que forma esses órgãos vêm atuando para prevenir o acontecimento de catástrofes ambientais.

Segundo o secretário do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais, José Carlos Carvalho, o vazamento pode ter sido causado por uma pequena erosão, que teria provocado o rompimento da barragem do grupo Cataguazes. Segundo Carvalho, técnicos discutem a recuperação do reservatório que cedeu e as medidas para impedir que o outro tanque se rompa. Também será avaliada a possível construção de um terceiro reservatório.

Em Campos, o gerente-executivo do Ibama do Rio de Janeiro, Édson Bedim, informou que a multa de R$ 50 milhões já aplicada contra a indústria Cataguazes será integralmente investida nos oito municípios do norte e noroeste fluminense atingidos pela contaminação. Bedim, que assumiu o cargo ontem, participa nesta sexta-feira uma audiência pública no Teatro Trianon para discutir a crise no abastecimento de água provocada pelo acidente ambiental.

Também na audiência pública, o promotor de Justiça Marcelo Lessa propôs uma enxurrada de ações contra a Cataguazes Papéis. Ele pediu que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) faça um esforço para disponibilizar gratuitamente advogados para a população prejudicada pelo desastre ecológico. Qualquer pessoa que tenha consumido algo acima de seu orçamento normal (como água mineral, pro exemplo), em conseqüência da poluição, pode, desde que munida de nota fiscal, processar a industria.

A governadora Rosinha Matheus determinou um reforço no esquema montado pela Defesa Civil para levar água aos moradores de Campos e cidades vizinhas. Estão chegando hoje ao Norte Fluminense mais 50 bombeiros e 20 caminhões-pipa contratados pela Cedae. O uso da água para irrigação já foi liberado pelo governo do estado.