31/03/2003 RIO - A governadora Rosinha Matheus informou esta manhã que está acompanhando de perto o desastre ecológico provocado pelo vazamento de produtos químicos (soda cáustica, chumbo e outros metais) de uma lagoa de contenção da Indústria de Papel e Celulose Matarazzo, em Cataguases, Minas Gerais, a 35 quilômetros da divisa do Rio. O Secretário estadual de Defesa Civil do Rio, coronel Carlos Alberto de Carvalho, e técnicos da Feema estão seguindo agora para o local para confirmar denúncia segundo a qual continua vazando rejeitos químicos do açude da Cataguases Papéis. Segundo o Secretário municipal de Agricultura
de Santo Antônio de Pádua, José Alcino, a denúncia
dá conta de que está vazando agora a parte mais concentrada
dos rejeitos químicos, de maior toxicidade. Em alerta transmitido
por estações de rádio e TV da região, a polícia
ambiental de Minas Gerais pediu à população para
não consumir peixes do Rio Pomba e evitar a água até
para o banho porque há risco de irritação e queimaduras
no corpo. Várias cidades do noroeste fluminense estão em estado de calamidade pública em conseqüência do vazamento. Mais de 20 milhões de litros de produtos químicos foram lançados, na sexta-feira, no Rio Pomba, que corta o Noroeste e o Norte Fluminense. A cidade de Santo Antônio de Pádua foi a mais afetada. Está sem abastecimento de água. O desastre ambiental já matou muitos peixes e animais que bebem a água do rio. O chefe da Divisão de Desenvolvimento Rural do
Ministério da Agricultura no Rio, Celso Merola Junger, disse que
a situação é extremamente grave e que o abastecimento
do Grande Rio será afetado. A região atingida produz frutas,
tomates e hortaliças. Neste momento, Merola está reunido
com técnicos para planejar ações para ajudar agricultores
e pecuaristas. A situação também é grave em Miracema e Aperibé e, segundo Celso Merola, o problema vai chegar a Campos e municípios porque o Rio Pomba deságua no Paraíba do Sul. Rosinha disse que pediu ajuda à Petrobrás para fazer uma barreira de contenção dos rejeitos no Rio Pomba. A governadora informou ainda que carros-pipas da Cedae estão captando água em Itaocara para abastecer as cidades afetadas pelo desastre ambiental. O secretário estadual de Defesa Civil, coronel Carlos Alberto de Carvalho, e autoridades ambientais do estado foram deslocadas para Pádua para fazer uma avaliação dos estragos. O secretário de Agricultura de Santo Antônio de Pádua, José Alcino, disse que a polícia ambiental de Minas Gerais informou que vazaram da lagoa 1,6 bilhão de produtos químicos, que contaminaram o Rio Pomba e vão chegar ao Rio Paraíba do Sul. O prefeito de Pádua, Luís Fernando Padilha Leite, decretou ponto facultativo e a qualquer momento pode decretar estado de calamidade pública.
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